Hoje dediquei o dia para restaurar este blog, com o intuito de postar esta despedida ao meu querido gato de 16 anos que veio a falecer hoje.

Sei que não é o melhor post para retomar as atividades do blog, mas é o que eu precisava fazer para tentar aliviar a dor que sinto pela partida do meu velho gato siamês – conhecido por Eiji – e compartilhar algumas histórias do “malvadinho” com quem estiver lendo isso agora.

Em 2002, acho que em maio ou junho, eu tinha acabado de me mudar para morar junto com a minha esposa e estávamos “montando a casa” – que na verdade era uma kitnete na Rua Santo Amaro, no bairro da Bela Vista. E minha esposa sentia falta de um gato de rua que dormia na casa dela – o Tico -, o qual não podíamos levá-lo porque ele era um gato da “vizinhança”. Era um gato esperto que vivia sujo de graxa nas costas, por andar debaixo dos carros – mas isso é uma outra história que compartilharei em algum dia.

Voltando. E num belo dia, tive a brilhante idéia de ter um gato para nos fazer companhia no pequeno apartamento. A idéia inicial era adotar um, mas na época, só haviam gatos velhos disponíveis, apesar de alguns lindos – porém tínhamos medo que não fossem se adaptar em um cubículo de uns 22 m². Então passamos a procurar por filhotes, mas para doação não encontramos nenhum.

Então, passei a procurar por filhotes em pet shops, porém não queria um gato de raça – e nem tinha dinheiro para tal na época. Mas também não foi fácil essa procura.

Encontrando o “feioso”

Após alguns dias, encontrei um anúncio (não lembro agora se foi num jornal, ou na internet mesmo) de um pet shop no bairro do Paraíso que estavam vendendo “lindos” filhotes de siamês, por R$ 100. Finalmente a minha busca se encerraria naquele dia.

E num belo sábado, decidi ir até o pet shop, juntamente com a minha esposa. Como ela ia levar a sobrinha ao metrô, me adiantei para não encontrar a loja fechada, pois já era quase 18h. Chegando lá, já fui escolher um dos filhotes para levar comigo – estava determinado.

A mulher do pet shop me levou para um comodo e me apresentou a 3 ou 4 filhotes, mas só um deles era macho – na época não queria levar uma fêmea – que estava meio desgrenhado, mas parecia ter uma “personalidade” (esta era uma qualidade exigida pela minha esposa). Continuei a olhar os filhotes, quando a atendente me interrompeu: “Se levar ele te dou um desconto de 10%” – só fui entender o porquê disso algum tempo depois. Sem titubear, peguei ele e já saí para fazer o pagamento.

A atendente – espertalhona que só – já me ofereceu um pacote de ração e uma coleirinha para o filhote. Que peguei sem pensar.

Minutos depois, minha esposa chegou na loja e me encontrou já carregando o filhote na mão. Vi que ela ficou um pouco espantada, mas na hora nem desconfiei do motivo.

Paguei pelo filhote e pelas coisinhas que levamos – e com os 10% de desconto pelo filhote – e fomos embora de táxi. Durante o caminho, minha esposa me revela que achou ele um tanto “feioso”, mas eu já estava muito feliz pela nova companhia. De alguma forma sabia que aquela tinha sido a escolha certa e, assim, começava a nossa vida com o gato que iria mudar as nossas vidas para sempre.

Gato, seu nome vai ser Eiji

Chegando em casa, o primeiro ato oficial era escolher um nome para ele. Até que não foi difícil, lembro que dias antes havia comentado com a minha esposa que meu nome japonês seria Eiji, mas que a minha família resolveu tirar e colocar um sobrenome no lugar – então eu seria um descendente de japoneses sem nome japonês, mas com dois sobrenomes (vai entender) – e ela lembrou sobre essa história e optamos em batizá-lo de Eiji. Era um nome curto, fácil de lembrar e, de certa forma, original.

Nos primeiros dias, ele era um filhotinho conhecendo a nova casa e os seus novos “pais”. Tudo era tão lindo…

O porquê do desconto de 10%

Eiji, aos 5 meses, aprontando com a câmera

Eiji, aos 5 meses, aprontando com a câmera

Com o passar dos dias fui entendendo o porquê dos 10% de desconto ao qual ele tinha direito na compra – Eiji era um gato “hiperativo” -, ficava ligado 24 horas aprontando em um micro-apartamento. A atendente do petshop, a espertalhona, me deu o desconto para se livrar do pequeno terrorista e eu caí direitinho.

Todos os dias entre as 5h e 7h da manhã ele nos acordava arranhando os nossos pés por debaixo das cobertas – tenho um trauma disso até hoje, onde eu peguei a mania de enrolar os meus pés no cobertor. E durante o dia, ele escalava as nossa pernas enquanto estávamos de pé. O Eiji também não gostava que o pegassem no colo, ao fazer isso ele achava – por direito – que deveria morder ou arranhar. Tenho incontáveis cicatrizes de seus atos até hoje.

Os 16 anos passaram rápido

Mesmo com todos os seus atos terroristas, seja conosco ou com as nossas coisas, o amávamos muito. Ele tinha uma personalidade forte, não deixava barato e não importava quem era que ele tivesse que encarar, fosse um marmanjo de 2m ou uma criança de 3 anos, ele não deixava barato – deixava neles um arranhão de lembrança. E com o tempo ele ganhou o apelido de “malvadinho” de uma de minhas sobrinhas.

Apesar de tudo isso, ele era bem conhecido e amado pelos meus amigos e parentes.

Com a chegada da Yuki – uma outra siamês que minha esposa encontrou na rua -, o Eiji descobriu que era um gato (até então ele achava que era “gente”) e com ela constituiu sua família – os 2 tiveram 3 crias com um total de 12 filhotes, se me lembro bem – e ficamos com um de seus filhos, o Hiro.

Eiji deitadão. Hiro dando um banho na Yuki.

Eiji deitadão. Hiro dando um banho na Yuki.

O Hiro foi seu fiel companheiro durante anos, não se desgrudavam e – por incrível que seja – partilhavam dos mesmos “trejeitos”, fosse na hora de dormir, da forma como se sentavam, pareciam irmãos gêmeos.

Eiji e Hiro dormindo

Eiji e Hiro dormindo

Enfim, há diversas histórias engraçadas que gostaria de compartilhar neste post, mas se as contasse, bateria o recorde de post mais longo do mundo. Rs.

O fim de uma linda jornada

Enquanto tivemos o “pequeno” do nosso lado, nunca pensamos que ele teria um tempo de vida menor que o nosso. Vivíamos como se fossemos ficar juntos para sempre. E quando chega a hora é que esta dura realidade aparece para colocar nossos pés no chão.

Dos últimos meses para cá, o Eiji adoeceu por problemas renais, aos poucos a sua vontade de comer foi diminuindo bem como seu peso. Ele foi definhando, perdendo peso e sua capacidade de andar. Levamos ao veterinário algumas vezes, tentamos alguns tratamentos e uma cirurgia mas nada o fazia melhorar.

Ontem, o levamos ao veterinário para que realizasse uma última tentativa ministrando um soro “turbinado” e o deixaríamos internado em observação. Ele já estava com 1/3 do peso que outrora havia, não estava conseguindo mais se levantar.

Ao voltarmos na manhã seguinte, vimos que ele não teve evolução e estava tendo espasmos em uma fase de pré-convulsão.

Não havia outro jeito… tínhamos que abreviar o seu sofrimento.

Nos despedimos dele, em meio a uma enxurrada de lágrimas e duradouros abraços. E a última coisa que disse em sua despedida foi: “Filho, eu te amo. Muito obrigado por sua vida ao nosso lado. E espero vê-lo em breve.”.

Sinceramente não acredito muito no “outro lado”, mas a possibilidade de revê-lo lá é algo que me faz querer acreditar.

Este, com certeza, foi um post difícil de ser escrito. Mas consegui fazê-lo com a companhia de minha pequena Yuki. E finalizá-lo me deu um pouco mais de conforto.

Yuki me fez companhia durante a criação deste post.

Yuki me fez companhia durante a criação deste post.